
Devo sofrer de falta de testosterona a esguichar dentro de mim, tal como uma adita de heroína. Estou num momento de caça, mas sem arma nem dentes. Falta de hábito e de jeito. Pois. Nem sei como contratar um prostituto, nem entrar nesses clubes de amizades on-line. Estou a precisar de uma paixão arrebatadora, secreta, de um amante de me leve até à lua. Semanalmente não era mau. O difícil é encontrar o astronauta. Aquele é feio, o outro horrível, aqueloutro pior ainda. Bolas! E o único possível astronauta até á data, com quem tive um frisson, um tremer da barriga, uma troca de olhar – ai-ai– por dois segundos, aconteceu numa festa de anos. Estava encostada a uma parede a conversar com umas amigas, quando ele chegou vindo do nada, despediu-se com dois beijos e apresentou-se com o nome próprio, eu, depois da segunda beijoca, quando as faces se cruzam, ou melhor, se descruzam, disse o meu. E zás, aquele olhar aveludado veloz, e lá vou eu!
E sabem quem era o astronauta particular da viagem até às estrelas? Ai! Um ministro. Tinha logo de ser ministro. Logo eu que nunca me dou com esse tipo de gente!
Como é que vou arranjar o telefone dele? Se fosse um homem qualquer, um mais comum, um professor, um dentista, um oficial de contas, um desempregado, era mais fácil: olha amiga, aquele charmoso da festa, sabes...pronto, fácil. Mas agora de um ministro?!!
Quem é que me vai dar o seu secretíssimo contacto? E para quê?? Pensam logo que vou pedir um emprego, uma assessoria, uma cunha, um favor. E depois não tem piada nenhuma. Olha, queres ir ao cinema? Um ministro vai ao cinema?? Convidá-lo para jantar? Falar do quê? Do país e do governador do banco de Portugal? Onde? Credo. Dos 2 milhões de pobres? Chatíssimo, lembra-me uma bd antiga, a “Filosofia de Ponta”, eu a sugar a testosterona ministerial, ele a dar despacho aos ofícios.
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